Mostrando postagens com marcador *Poesias*. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador *Poesias*. Mostrar todas as postagens

29 dezembro 2011

Ensaio Sobre O Perfeito



Tantas vezes imaginei
Como seria
Estar com você ao meu lado
Mas até agora você não chegou
Aqui, em mim.

Te vejo acompanhando tantos
Estampado nos rostos alheios
Você não é de um nem de dois
É de vários

Pena que eu não te encontre a sós
Tas sempre acompanhado
Então fico tímido e não sei como chegar até você

Tudo que eu queria
Era que você estivesse sempre comigo
Então, seria perfeito

Vejo uma silhueta refletindo no chão logo a minha frente
Imagino, é uma linda pessoa
E ao inclinar minha cabeça para enxergar o rosto desta linda pessoa
Me deparo com você
Te ter pra mim/em mim seria perfeito

Ah como eu fui rude e não lhe apresentei aos leitores
Seu nome? Atende por variados, mas um muito usado é...
...sorriso


21 setembro 2011

Eu Não Vou Mais Lutar (Ou Cadê Minha Calma?)

Cansei

Disse a todos que não me sentia bem ali, não estava feliz

Tentei me mudar, mas não deixaram

Iria viajar sim, morar em outro lugar

Miami, ou Bordeaux

Paris? Ah, Paris não, acho Paris meio falsa, tipo o Rio de Janeiro sabe? Se você quiser, só verá coisas lindas, e aí você sendo turista, achará que toda a cidade é assim.

Paris, Cidade Luz, né?

Me atraí mais os lugares de Paris onde faltam luz.

Mas tem o Louvre, esse sim eu gostaria de conhecer.

Bem,

Deixa eu me calar, afinal, do que adianta falar, falar, e somente falar?

Ando muito nervoso, estressado,

Pode ser esse tempo amargo.

Mas, como já me disseram, eu acho que vivo num mundo em que o tempo é diferente do meu

Olho o mundo a minha volta:

Nada me entende, eu não entendo nada

Saí ontem pra comprar calmantes e em 20 minutos vi duas cenas abomináveis:

Uma mulher empurrou o cara da bicicleta porque ele gritou: Nossa, que gostosa.

O outro, deu um tapa no rapaz, pois ele lhe passou a mão na bunda.

Ué, quando é o homem com a mulher, pode, quando é outro homem não pode?

Não é pelo fato de terem passado a mão na sua bunda que vocês irão sair para jantar e depois, ao motel.

Voltei pra casa,

No elevar o vizinho me chamou pra ir fumar um baseado, mas eu respondi dizendo que já havia comprado meus calmantes.

Tomei dois,

Com muita água,

Peguei uma cadeira, coloquei-a próxima a parede e estou a olhar pela janela,

Com meus pés apoiados sobre a janela.

Sabe? Se o desespero bater, eu já to perto,

Basta pular.

25 agosto 2011

Caminho

Vou lá
Mesmo sem saber onde vai dar
Sem saber o que me espera
Sem saber quando chegar
Sem saber o que é...lá

Mas, eu vou
Apesar de tudo eu vou
Algo me move em frente
A encarar o desconhecido


Se é o medo que me impede
Sigo um tanto 
Lento, cauteloso
Até não poder mais

Será que continuo?
Vou.
Sem medo, sem vestes sem vestígio
Daquilo que fui antes de ter conhecido

Fui
Passo por uma metamorfose ímpar
E posso afirmar:
Lá não é tão melhor que aqui.


Poesia em co-autoria com a amiga Mariana Campos (Twitter), eu encalhei, e ela terminou, acabou escrevendo mais do que eu, rs.

04 abril 2011

Lotus, A Flor E O Beija-Flor

Ele, muito estranho
Ela, com uma cara de lesada
Mal interpretada
Toda charmosa ela, faz cara de antipática, mas é só a cara
Ele, com uma cara de maluco, antipático
Bem interpretado, é assim mesmo, no caso dele não é só a cara

Ela, animada, dançante, não parava quieta no salão
Ele, debruçado no balcão do bar, bebendo, concentrado, ou um deprimido alcoolizado
Não se sabe ao certo

Ela, o viu e sorriu
Ele, fingiu que não viu
Ela, se aproximou e o convidou
Ele, tímido se esquivou
Ela teimosa, o puxou pra pista
E então dançaram, durante horas
Ela disse várias vezes que adorou
Ele, não quis demonstrar, mas, gostou
Em alguns momentos se sentiu desconfortável, mas gostou

Meio sem querer, a dança acabou
Depois de muitas músicas
Ambos foram pro banheiro
Ele, lavar o rosto, pra saber se não estava sonhando
Ela, ajeitar o cabelo e dar uma conferida na maquiagem
Se encontraram novamente
Quando de repente, tocou uma lenta

E de forma totalmente inesperada, ele o chamou para dançar
Dançaram, colados, ombro no ombro
Ambos adoraram
Ele se despediu, ela o cumprimentou

Ele foi embora, morava perto, foi a pé
Caminhando, pensando na noite e na vida
Ela, não queria mais estar ali, o lugar sem ele, ficou sem graça
Ela chamou um taxi e foi pra casa

E meio que pela força do destino
Ambos chegaram em suas casas no mesmo momento
E fizeram as mesma coisa, despiram-se
Os dois tinham algumas tatuagens
Mas entre tantos desenhos e mensagens, duas especificas chamavam a atenção
As duas no ombro, cada uma no seu respectivos ombros
Ele, no ombro esquerdo, uma Flor De Lotus azul
Ela, no ombro direito, um Beija-Flor
Eles não sabem, e possivelmente nunca saberão
Mas naquela noite, a magia da natureza se realizou
E o Beija-Flor dela, beijou a Flor De Lotus dele

 
Nota: Tive o insight dessa poesia hoje logo no início da tarde e resolvi escrevê-la para amiga Lê sada, mandei o texto pra ela, e o mesmo foi publicado em seu blog, então dêem uma passada por lá também.
 
Nota 2: Pequena explicação, fiz o texto como se ELE fosse eu e ELA fosse a Lê sada, e as tatuagens descritas são/serão nossas mesmo, ela tem o Beija-Flor (nos dois ombros) e eu to terminando um Buda na metade das costas e na proxíma sessão farei umas coisas no braço, que entre outras coisas, terá uma Flor De Lotus azul no ombro.

A Neblina

Eu olhei, mas não te vi
Te ouvi, senti teus passos
Acho que era loucura, mas mesmo de longe eu senti a sua aproximação, sua respiração

Rodei, rodei, rodei
Como um louco
Louco que sou, tentava não somente te achar
Mas também, me encontrar
Acho que no fundo acreditava que te achando, você poderia me guiar

Prendi a respiração e me joguei
Mesmo com medo, fui de encontro ao desconhecido
Segui em frente, sem ver nada, guiado pelo seu calor, como um radar que seguia a sua profunda respiração

E como se fossem os mais belos óculos surgindo milagrosamente em meu rosto, te enxerguei
Me senti um recém operado de um alto grau de miopia descobrindo um mundo novo

Eternamente grato à você eu serei
Pois através de você...
...da neblina, me libertei.

17 março 2011

O Ladrão (Ou Espelho)

Ei você, apareça!

Sim, você mesmo que roubou a minha vida
Minha dignidade
Meus prazeres
Minhas diretrizes
Minha paz

Mostre-me o caminho para recupera-los
Dê-me o preço
Estarei disposto a pagar
O que possível for
Mesmo que não esteja ao meu alcance
Pois tudo que eu quero é paz
Esta perturbação eu já não aguento mais

Não, não pode ser
Pesadelos não duram tanto
A ponto de me desgastar tão brutalmente

Mente, a minha mente já mente pra tentar meu coração enganar
Já não sei o que realidade ou o que é medo
Alucinação
Pela vida, já não sinto mais tesão

Mas no momento estou muito desiludido
Para a morte tentar
Até porque nenhuma garantia tenho
De que morto, meus desejos irão se realizar
Quanto a isto
Melhor nem pensar

Acordei
Olhei-me no espelho e finalmente a encontrei
A pessoa que roubou minha vida
À todo momento estava ali
Era eu
O problema é que contra essa pessoa eu não tenho...

...ação
 
 
Nota: Comecei a escrever este texto de manhã e parei faltando apenas terminar o título que estava como "O Espelho (Ou " e agora na hora que resolvi postar aqui é que tive a idéia do título final.

14 setembro 2010

(O Seu) Sorriso

Estava eu lá, olhando o nada
Quando de repente, te vi
E tudo mudou
Como uma nuvem preta que aparece enquanto você caminha para um compromisso, mas
Desanimado já esta
Pois sabe que há de se molhar
Saiu de casa preparado para o sol
Mas, São Pedro quis
E sua roupa molhou

Então todo meu ar mudou
Meu semblante em outro, se transformou
O dia clareou
A chuva apaziguou
E a felicidade chegou

Tudo isso aconteceu
O sol chegou
Deixando distante a nuvem preta que iria me molhar
São Pedro quis me seco e feliz
Mas ele só quis por ter testemunhado a mesma coisa que eu
Ele viu o que eu vi

Não sei se lá do alto, de trás das nuvens brilhava tanto quanto daqui
Do outro lado da rua
Mas ele também viu o que eu vi
E mudou o meu (não só o meu) dia

Nós vimos...
...o seu sorriso

21 julho 2010

A Corrida (Ou O Corredor)

Corro, corro e não chego
Quando chego estou atrasado
Não alcanço você, que nunca espera

A busca pelo meu lugar tem me cansado
Lugar no mundo
Lugar na vida
Lugar em você

Cansado da busca e de pernas bambas de tanto correr, tropeço
Mesmo caído me despeço
Despeço de você

O fim esta chegando
Daqui eu já vejo a linha
A linha que eu cruzar
A linha que cerca o meu futuro
E é lá onde eu quero estar

Atravesso a linha
E o chão acaba
Caio
Vou, vou, vou
No precipício estou a cair
E este é o meu fim

Enfim, cheguei
Dessa vez a tempo
Agora já posso parar de correr

09 junho 2010

Desencontros (Ou Eu & Você)

Estava eu lá
Mas não me via
Estava eu cá
Mas não me ouvia
Eu tava lá
Mas você não me via
Eu tava cá
Mas você não me ouvia

E nesses desencontros nossas vidas foram passando

Eu chorei
Você sorria
Eu gritei
Você, no silêncio focou

Você desenha
E eu brincava de fazer poesia

Nos sábados à tarde, você no parque fazia yoga
Eu no meu quarto meditava

Eu bebi
Você tropeçou

Você achava
Aquilo que eu perdia

Eu era melhor à noite
Você durante o dia

Preferia as flores da primavera
Você, o gelo do inverno

Penso que seriamos perfeitos
Se não fosse o problema do tempo...

...já que
Eu morri
Enquanto você nascia

30 abril 2010

Texto Das Possibilidades (ou Se ou Poesia Do Se)

E se fosse de outro jeito?
Se eu tivesse tomado aquele caminho
Se, se...
A minha vida é cheia de “SEs”

Mas, pensando bem, não é só a minha
Em várias músicas que eu adoro, em algum momento encontra-se um se

Refletindo sobre essa pequena palavra de duas letras, eu percebo que o se é lindo
Pois o se te da possibilidades
Eu sou feio, mas como seria se eu fosse bonito?

Pensando no se me lembrei da música Mantra Das Possibilidades do Wander Wildner:

“Minha vontade é ser bonito
Mas eu não consigo
Eu sempre volto atrás
Sonho em ter cabelo comprido
Mas eu não consigo
Eu sempre corto mais
Meu desejo é estar contigo
Mas eu não consigo
Eu sempre fico em paz”
É, “certo seria, se erro não fosse
Acho que é melhor esquecer os “ses” e pensar e viver no que é.

10 fevereiro 2010

Poesia Erótica Nº 2

Veio
Subitamente veio sussurrando aos meus ouvidos
Caliente, quente, explicitamente
Ô, todos os meus pensamentos mais secretos
Naquele momento não puderam conter-se em minha cabeça
E foram arrastando-se para o meu corpo
Não resisti
Beijei

Aquela boca quente, que conteve todo a minha ansiedade
Pois fiquei imóvel, perplexo
Era eu um fantoche
Esperando ser guiado pelos caminhos mais secretos e vulgares daquela cama

E assim o fui
Suor, saliva, cheiro
Tudo misturado num mesmo quarto

Ardente
A tua pele me tocava
Enquanto na tua alma eu penetrava

Foram momentos únicos
Tão rápidos quanto uma noite divertida
Tão longos quanto refletir sobre o amor
E a vida

Ali eu te tive
Ali você me teve
Ali foi intenso
Nós dois nos fundimos num único corpo e alma

O dia amanheceu
E de nós dois no quarto
Só ficou o cheiro


_________________________________________


Não se preocupem meus queridos 2 ou 3 leitores, porque provavelmente não terá a Poesia Erótica Nº 3, mas como eu fiz há mais de 1 ano a Nº 1 (tão ruim quanto, ou pior), eu tava arrastando a "obrigação" de fazer a Nº 2 até agora!

23 dezembro 2009

Só O Fim

Caminhamos pro fim
O fim caminha com a gente
Fim do ano
Fim da linha
Fim de um ciclo
E tudo acaba, quase que exatamente como no ano anterior
Ou não
Depende do que você fez da sua vida
E/ou do seu ponto vista

A natureza cada vez mais escassa
Aquela pedra onde meu calcanhar raspava já não existe mais
Aqui perto de casa havia florestas e bosques
Hoje há pedras
Os miquinhos que iam comer banana no muro do meu tio, já não aparecem mais
Pois atrás da casa dele nascerá um novo condomínio
Por enquanto ainda esta em gestação, se desenvolvendo
Como pode um nascimento gerar tanta morte?
Poucos percebem, mas caminhamos pro fim

Fim da vida
Fim da evolução, fim do mundo
E não falo de profecia ou qualquer outra coisa
Falo do descaso do homem com sua casa, o planeta Água

Me lembro de Sofia*
Aquela doce menina que conheceu a historia e viajou por ela
Através da filoSOFIA
Me lembro também de Marcelo**:
“Oh, crianças isso é só o fim
Isso é só o fim
Isso é só o fim”


*Sofia, personagem principal de livro/mini-série "O Mundo De Sofia"
**Marcelo Nova, um dos compositores da música "Só O Fim"

11 novembro 2009

Texto Ou Poesia Da Dúvida

Eu me olho no espelho
Profundamente
Não me vejo
Apenas meu olho
E como pode meu olho olhar a si mesmo?

Eu me olho
Meu olho se vê duas vezes
Em meu rosto e no espelho

Eu me olho
E o espelho me olha
O olho é do espelho?
O olho é seu?
Não, olho é meu!

“Se fosse fácil se olhar
Quem não se olharia?”

Eu me bato
A dor é minha
Eu bati ou eu apanhei?
Esta é a questão

Eu me bato
Um lado gosta de bater
Outro gosta de apanhar
Sou sádico?
Sou masoquista?
Sou sadomasoquista?

Eu me corto
A faca tem minhas digitais e meu sangue
Eu sou o agressor ou eu sou a vítima?

Eu ando pela rua
Quase todo mundo anda pela rua
Sou eu quem empurra o chão para baixo
Ou o chão que me empurra para cima?

Eu me mato
Quem matou?
Eu
Quem morreu?
Eu
Quem tem que ser preso?
Eu
Mas se eu morri como serei preso?
Posso eu ser vítima e assassino ao mesmo tempo?
Você me mata?
Não, sou eu que me mato
Se você me matasse você seria o assassino e eu a vítima
Mas, se eu me mato não tem um assassino e uma vitima

Eu me mato
A morte é sua?
Não, a morte é minha
Se fosse fácil se matar quem não se mataria? *

*Esse texto, poesia, linhas, ou qualquer coisa que você queira chamar, foi feito baseado na música "Eu Chupo Meu Pau" do Rogério Skylab (é só o nome da música [risos toscos e sem graça], mas isso falo por mim, já o que o Skylab faz eu não sei, um amigo disse que com a yoga...) que você pode ler a letra dela aqui e ouvi-la aqui

19 agosto 2009

À Noite

A noite escura come subitamente meu gélido espírito

À noite a melancolia chega

E com ela minha forma lúdica se vai

Fico mais frio, soturno, noturno

Acendo um cigarro

Bebo um conhaque

Fumo um baseado

Mas apesar de todas essas substâncias, não consigo encontrar o equilíbrio

Com um vento frio que entra pela aresta da janela

Sinto vontade de ter alguém ao meu lado

Quem sabe até mesmo por cima. Talvez por baixo?

Mas logo lembro:

“Sexo compra dinheiro e companhia

Mas nunca amor e amizade, eu acho

E depois de um dia difícil

Pensei ter visto você

Entrar pela minha janela e dizer:

- Eu sou a tua morte

Vim conversar contigo

Vim te pedir abrigo

Preciso do teu calor”*

Eu não estou em busca de dinheiro e companhia

Não, não

Pelo menos não hoje


Hoje eu gostaria de amor e amizade

Mas isso o sexo não compra, né?

Pelo menos não as verdadeiras [amizades]

As horas vão passando, penso em ler um livro

Mas estou demais entorpecido pelas substancias usadas esta noite

De forma que não conseguiria entender as letras impressas no livro

E eu não sou disléxico

Quem mandou eu me entorpecer?

Penso em jogar-me da janela

Jogar-me-ei ou pendurar-me-ei?

Talvez pendurado eu possa me sentir parte da noite, como um gárgula

Enfim, não sei

O álcool começa a sair de meu corpo

Afinal, a idéia de matar-me fez-me suar frio

A nicotina e o cânhamo ainda são perceptíveis por mim


Olho no relógio e já são 5:00 horas

O rádio desperta

Me preparo pra jogar-me

Mas eis que o ouço o Lobão me dando um conselho:

“A maior expressão da angústia

Pode ser a depressão

Algo que você pressente

Indefinível [é o prazer]

Mas não tente se matar

Pelo menos essa noite não”**

É, o dia amanheceu

Eu vou “drumi”***


*Trecho da música La Maison Dieu da Legião Urbana

**Trecho da música Essa Noite, Não do Lobão, o "é o prazer" esta entre colchetes pois não faz parte da música, mas já foi cantada ao vivo

***  Expressão usada por Zé Da Luz no poema Ai Se Sêsse, gravado pelo Cordel Do Fogo Encantado

26 julho 2009

Se Foi

Ela se foi

Assim como a primavera ela se foi
Repentinamente, como um vento frio que entra pela aresta da janela diretamente no hideograma tatuado em meu pescoço, ela se foi
Não me deu chance alguma de despedir-me, partiu, virou, bateu forte a porta e se foi.

Olhei me no espelho e notei meu reflexo incompleto, meu corpo distorcido
Meu olhar distante, profundo e vazio
Não era um olhar famoso como o de Thom Yorke ou Jean Paul Sartre
Era um olhar que não levava a nada.

Passei a tarde a dormir tentando reaver o que eu perdi
Mas onde procurar se eu não sei o que perdi?

O tédio era mais forte do que eu
E assim como a esperança, isso foi ela que se foi
Eu decidi me ir
Abri a janela, tirei a roupa, fiquei nu e me fui

Uma coisa no futuro não poderão dizer:
“Aqui jaz esperança”

25 abril 2009

Poema sujo

Vomito-te minha suja alma

Em teu anus
Alma manchada pelos pecados das ruas
Bares e orgias
Deixo todo meu amor excretar dentro de suas límpidas artérias
Infectando-te com mentiras, medos e doenças
Porém, é, sempre foi e sempre será sincero
Todo o meu amor

Cada vez mais imundo estou
Transcorre por mim um pus exalando um péssimo odor
Pela madrugada na rua suja minha alma se sente livre
Os transeuntes morimbundos fazem com que sinta-me como se habitasse os corredores de minha casa
Fico totalmente aconchegado

Acho-te novamente
Dessa vez toda nua, no meio da rua
Ofereço minha mão, meu coração e meu calor
Abraço-te e beijo

Retomo minha alma
Pra sempre estará manchada
Mas meu futuro apenas com você será límpido como uma cachoeira
E as manchas em meu passado serão apagadas
Na alma ficarão para todo o sempre
Para que eu jamais me esqueça como é difícil viver sujo


Este poema foi feito após ver uma entrevista do Ferreira Gullar hoje no Programa Do Jô e ele declamou um pedaço de um poema que não era “muito bonitinho”. Ora, Rogério Skylab faz “poesias sujas” e é chamado de retardado, mas o Gullar pode porque é gênio?

Como eu admiro os dois, resolvi fazer o meu poema sujo, e tudo bem se me chamarem de retardado. Alias, eu acho que é menos preocupante ser chamado de retardado do que se você for chamado de gênio.

16 abril 2009

Um poema qualquer (Castelinho De Areia)

À tarde melancólica a saudade me matava

Lembrar de você não era um bom sinal
Vinho, taça, água, copo e sal
Esse era o cenário no qual eu estava contido
Deprimido, vagando, tentando não apenas não me perder
Mas também me achar

Achar-me dentro da minha profunda solidão
Pego o copo e bebo a água
Inclino a taça e embriago-me com o vinho
Na minha delicada embriagues, eu visualizo você
Em seu manto vermelho, sexy
Que lembrava-me dos meus sonhos mais secretos da adolescência

Vou ate a janela olhar o mar
Morar em um castelo de filmes hollywoodianos tem suas vantagens
Mesmo na melancolia e na tristeza
No frio e no calor
No amor e na dor
Ao abrir a janela se tem um linda paisagem

Mas de que adianta um castelo quando se vive sozinho nele?
Eu era mais feliz na minha infância

E lembro: “construí um castelinho de areia que o mar levou”*
Depois desse dia eu prometi
Pra mim mesmo, ninguém ouviu, mas eu prometi
Prometi que quando fosse “gente grande” eu moraria num castelo
Hoje eu moro sozinho no meu castelo,
E tenho saudade do meu castelinho de areia.

*Frase da música Castelinho De Areia, do Junio Barreto

17 fevereiro 2009

Realismo Possessivo

Você me quer?
Você quer ver-me fodido e rir da minha cara

Você quer que eu mude?
Você quer que eu seja algo que não sou...
...e nunca vou ser

Você me deseja
Eu sei que no fundo você me deseja
Pois sou exatamente aquilo que você quer, mas nunca vai ser

Você diz que eu sou feio
Você diz que eu sou feio, mas no fundo você me quer

E o seu segredo?
Bem, eles não sabem, mas eu sei...
E agora contarei, contarei
Contarei

À noite,
À noite quando você esta sozinho você brinca consigo mesmo
Me desejando, me desejando,
Me desejando

Você esta puto?
Bem, foda-se o seu estado de espírito

Você me quer?
Tudo bem eu desisto, tire sua roupa e vem me foder,
Sacie o seu desejo,
Depois pegue sua arma e meta uma bala na minha cabeça

Eu estou pronto,
Estou pronto, estou pronto...

Texto baseado numa viagem minha em cima da música Talk Show Host do Radiohead, a letra original pode ser vista aqui e a tradução aqui. Podem ouvir a música pelo vídeo:




Eu colouei o marcador de poesias não sei porque. Isto não é uma poesia. E é sério demais pra ser chamado de paródia

08 dezembro 2008

Morte

Mata você, mato eu
Você me mata,
Mata de prazer,
Carinho, amor,
Tesão

Pensei na vida,
Olhei pra trás,
Vi um vulto,
Logo depois senti um calafrio,
Não entendi,
Achei ser apenas o vento,
Mas era você,
Quando tentei tocar...
...não consegui

Olhei para seu rosto e só vi uma luz,
Um anjo era você,
E ao te tocar...
...para eternidade eu acordei!





_____________________________

Lê,
faz a porra de um Twitter e me adiciona aqui.

07 novembro 2008

O acaso não sei

Talvez dobrar a esquina da minha rua pra não te ver
Tenha sido a pior das escolhas que já fiz
Não encontrar você aquele dia me fez entrar numa profunda conturbação mental e eufórica

Mas a culpa não é sua
Você seria apenas a salvação
Eu te encontrar seria minha luz
Que iluminaria meu caminho para a sanidade
Mas eu já estava preparado
Apesar de que no fundo mesmo, lá no lado interior de meu peito
Havia a esperança da salvação

Lembro-me de Nietzsche
Freud, Platão, Sócrates
E claro Kant

Quem me vê deve pensar que sou um profundo estudioso e sábio
Ao falar de filosofia
Mas lembro
O pouco que sei
Conheço
Devo a Sofia
Sofia Amundsen, que me ensinou bastante
Mas, pouco eu consegui guardar

O dia esta anoitecendo, e eu não lhe vi
Os devaneios que permeiam minha mente me deixam angustiado
A noite esta chegando e eu me preparo para tomar o caminho de casa
Fico imaginando como estaria hoje se não tivesse dobrado aquela esquina
Feliz, alegre, bobo, amando talvez
Mas nada posso afirmar
Porque o acaso
Não sei