09 maio 2011

Dandara

Deixo aqui uma pequena homenagem na forma de música, feita por Lúcio Maia (guitarrista da Nação Zumbi e tem o seu projeto solo: Máquinado), à uma mulher que deveria ser muito mais conhecida e muito mais respeitada por sua história e importância.






Dandara
Composição : Lúcio Maia
(Ê... Dandara)
Foi esposa e guerreira de Zumbi dos Palmares
(Ê... Dandara)
Junto com ele lutava para livrar os negros da dura vida que levavam
(Ê... Dandara)
Suicidou em 6 de fevereiro de 1694
(Ê... Dandara)
Para não voltar a posição de escrava nunca mais
(Ê... Dandara)
Dandara e Zumbi foram esquecidos de serem mencionados nos livros de história
(Ê... Dandara)
Como os primeiros revolucionários das américas, protegendo Quilombo dos Palmares do império
(Ê... Dandara)
Palmares, o último refúgio e mausoléu desta triste história de amor
E por alguma razão não são considerados heróis entre os brasileiros

04 abril 2011

Lotus, A Flor E O Beija-Flor

Ele, muito estranho
Ela, com uma cara de lesada
Mal interpretada
Toda charmosa ela, faz cara de antipática, mas é só a cara
Ele, com uma cara de maluco, antipático
Bem interpretado, é assim mesmo, no caso dele não é só a cara

Ela, animada, dançante, não parava quieta no salão
Ele, debruçado no balcão do bar, bebendo, concentrado, ou um deprimido alcoolizado
Não se sabe ao certo

Ela, o viu e sorriu
Ele, fingiu que não viu
Ela, se aproximou e o convidou
Ele, tímido se esquivou
Ela teimosa, o puxou pra pista
E então dançaram, durante horas
Ela disse várias vezes que adorou
Ele, não quis demonstrar, mas, gostou
Em alguns momentos se sentiu desconfortável, mas gostou

Meio sem querer, a dança acabou
Depois de muitas músicas
Ambos foram pro banheiro
Ele, lavar o rosto, pra saber se não estava sonhando
Ela, ajeitar o cabelo e dar uma conferida na maquiagem
Se encontraram novamente
Quando de repente, tocou uma lenta

E de forma totalmente inesperada, ele o chamou para dançar
Dançaram, colados, ombro no ombro
Ambos adoraram
Ele se despediu, ela o cumprimentou

Ele foi embora, morava perto, foi a pé
Caminhando, pensando na noite e na vida
Ela, não queria mais estar ali, o lugar sem ele, ficou sem graça
Ela chamou um taxi e foi pra casa

E meio que pela força do destino
Ambos chegaram em suas casas no mesmo momento
E fizeram as mesma coisa, despiram-se
Os dois tinham algumas tatuagens
Mas entre tantos desenhos e mensagens, duas especificas chamavam a atenção
As duas no ombro, cada uma no seu respectivos ombros
Ele, no ombro esquerdo, uma Flor De Lotus azul
Ela, no ombro direito, um Beija-Flor
Eles não sabem, e possivelmente nunca saberão
Mas naquela noite, a magia da natureza se realizou
E o Beija-Flor dela, beijou a Flor De Lotus dele

 
Nota: Tive o insight dessa poesia hoje logo no início da tarde e resolvi escrevê-la para amiga Lê sada, mandei o texto pra ela, e o mesmo foi publicado em seu blog, então dêem uma passada por lá também.
 
Nota 2: Pequena explicação, fiz o texto como se ELE fosse eu e ELA fosse a Lê sada, e as tatuagens descritas são/serão nossas mesmo, ela tem o Beija-Flor (nos dois ombros) e eu to terminando um Buda na metade das costas e na proxíma sessão farei umas coisas no braço, que entre outras coisas, terá uma Flor De Lotus azul no ombro.

A Neblina

Eu olhei, mas não te vi
Te ouvi, senti teus passos
Acho que era loucura, mas mesmo de longe eu senti a sua aproximação, sua respiração

Rodei, rodei, rodei
Como um louco
Louco que sou, tentava não somente te achar
Mas também, me encontrar
Acho que no fundo acreditava que te achando, você poderia me guiar

Prendi a respiração e me joguei
Mesmo com medo, fui de encontro ao desconhecido
Segui em frente, sem ver nada, guiado pelo seu calor, como um radar que seguia a sua profunda respiração

E como se fossem os mais belos óculos surgindo milagrosamente em meu rosto, te enxerguei
Me senti um recém operado de um alto grau de miopia descobrindo um mundo novo

Eternamente grato à você eu serei
Pois através de você...
...da neblina, me libertei.

17 março 2011

O Ladrão (Ou Espelho)

Ei você, apareça!

Sim, você mesmo que roubou a minha vida
Minha dignidade
Meus prazeres
Minhas diretrizes
Minha paz

Mostre-me o caminho para recupera-los
Dê-me o preço
Estarei disposto a pagar
O que possível for
Mesmo que não esteja ao meu alcance
Pois tudo que eu quero é paz
Esta perturbação eu já não aguento mais

Não, não pode ser
Pesadelos não duram tanto
A ponto de me desgastar tão brutalmente

Mente, a minha mente já mente pra tentar meu coração enganar
Já não sei o que realidade ou o que é medo
Alucinação
Pela vida, já não sinto mais tesão

Mas no momento estou muito desiludido
Para a morte tentar
Até porque nenhuma garantia tenho
De que morto, meus desejos irão se realizar
Quanto a isto
Melhor nem pensar

Acordei
Olhei-me no espelho e finalmente a encontrei
A pessoa que roubou minha vida
À todo momento estava ali
Era eu
O problema é que contra essa pessoa eu não tenho...

...ação
 
 
Nota: Comecei a escrever este texto de manhã e parei faltando apenas terminar o título que estava como "O Espelho (Ou " e agora na hora que resolvi postar aqui é que tive a idéia do título final.

05 janeiro 2011

Despido

Despido de roupas

Despido de idéias pré-fixadas
Despido de preconceitos
Despido de pré-conceitos
Se duvidar, despido até mesmo de conceitos

Impossível

Sim, é impossível qualquer ser terrestre, nem digo humano, coloquemos também os animais e por que não os vegetais? É impossível se deparar com qualquer fator e não ter um conceito ou uma idéia básica do que se fazer com aquilo. Veja os vegetais? Ao receberem a luz solar eles já sabem, desde o primeiro raio que recebem, que irão realizar a fotossíntese.

Assim sendo,
Estou despido apenas de roupas,
Até quando estou meditando, não consigo me livrar dos pensamentos que me impedem a concentração, porém, eu os identifico e me livro deles.

 
 

30 novembro 2010

O Homem Nu (Dispa-se E Ignore)

O homem nu estava preso, o homem nu se libertou
o homem nu está aqui, o homem nu te faz tão mal
porque tanto desconforto com o homem nu?
seria medo da liberdade ou de quebrar seus próprios tabus?

preso voluntário em armadilhas culturais
engessado no passado, confortável irracional

o homem nu assaltou um banco, o homem nu perdeu a razão
ontem ele matou o homem branco mas acertou em cheio a moral
ele vai destruir o que foi construído, vai se entregar mas sem nenhum objetivo

finja se orgulhar de seu futuro promissor
encha de vazio o teu vazio interior

o homem nu subiu ao palco e fez o que você não quis
o homem nu não te tocou mas você se sentiu invadido
ele pode te ver, mas você não
o homem nu rasgou a bíblia mesmo não tendo religião

você é livre , você é bom
dispa-se e me ignore!






Música (O Homem Nu, Dispa-se E Ignore foi retirado da música, mas não faz parte do nome, e sim do título do MEU texto) do Dead Fish, se não me engano nunca lançado em versão de estúdio, saiu apenas em um disco ao vivo e de vez em quando marca presença nos shows.

Gosto dessa idéia, pelo menos a que eu criei pra mim, que a música passa. “Você é livre...dispa-se e ignore”

Eu criei uma idéia, bem, antes deixe-me falar do O Homem Nu MAIS FAMOSO. O Homem Nu é um famoso texto de Fernando Sabino, que pode ser lido aqui, e também virou filme. Como já disse em um texto no passado, meu gosto cinematográfico não é dos mais comuns, e eu achei o filme uma droga, assim como não acho que o texto do Sabino seja nenhuma maravilha.

Voltando a idéia criada por mim e explicando-a; há uma versão ao vivo da música em que o Rodrigo antes de cantar fala: “Essa é pras pessoas que perderam a esperança, mas acreditam que ainda existe alguma reação” (Ou algo parecido).

Com base nessa introdução eu criei a minha idéia, em que O Homem Nu retrataria o ápice de um surto, a expressão do desespero de um louco, que se cansa de vez das “regras” do dia-a-dia, do padrão, e tem como a primeira forma de liberdade, ou melhor, o primeiro ato libertário que ele tem (libertário pra si mesmo) é se desnudar.

Às vezes eu sinto essa vontade, de arrancar as roupas, e surtar de vez, me libertando dos padrões (do qual eu já não me enquadro) e também expressando minha loucura e liberdade, acertando em cheio a moral, os valores e a hipocrisia, me entregando à liberdade e tirando das costas o peso feito pela sociedade.

É isso, se tiver coragem dispa-se, ignore e liberte-se.



NOTA: A nudez citada nesse texto não tem ligação nenhuma com o lado sexual, e sim como diz o texto é apenas o ápice da loucura, do cansaço, gritando por liberdade.

NOTA 2: Sem piadas sobre minhas idas à praia de nudismo e me chamando de tarado (para 2 pessoas em especial que TALVEZ leiam esse texto).

14 setembro 2010

(O Seu) Sorriso

Estava eu lá, olhando o nada
Quando de repente, te vi
E tudo mudou
Como uma nuvem preta que aparece enquanto você caminha para um compromisso, mas
Desanimado já esta
Pois sabe que há de se molhar
Saiu de casa preparado para o sol
Mas, São Pedro quis
E sua roupa molhou

Então todo meu ar mudou
Meu semblante em outro, se transformou
O dia clareou
A chuva apaziguou
E a felicidade chegou

Tudo isso aconteceu
O sol chegou
Deixando distante a nuvem preta que iria me molhar
São Pedro quis me seco e feliz
Mas ele só quis por ter testemunhado a mesma coisa que eu
Ele viu o que eu vi

Não sei se lá do alto, de trás das nuvens brilhava tanto quanto daqui
Do outro lado da rua
Mas ele também viu o que eu vi
E mudou o meu (não só o meu) dia

Nós vimos...
...o seu sorriso